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Sou escritora – é simples assim.

Sei a idade com a qual comecei a ler: quatro anos. E me lembro muito bem de como aconteceu. Todos os dias eu caminhava com a minha mãe para a escola e passava por um grande muro belamente decorado por um político em época de campanha eleitoral. Por “decorado”, leia-se o nome e o número do sujeito. E, a cada vez que estávamos em frente a ele, eu perguntava  à minha mãe o que estava escrito. “Luiz”, ela repetia.

Pois bem. Eis que, em uma manhã qualquer, eu já havia decorado o que as letras pretas gigantes queriam dizer. E entoei em alto e bom tom a palavrinha quando passamos pelo muro. Ao contrário de como eu esperava que minha mãe reagisse (fazendo absolutamente nada), ela soltou um grito de surpresa: “Luane, você aprendeu a ler!”.

Quando voltamos para casa, enquanto preparava o almoço junto com o meu pai, ela separou todos os ímãs de geladeira (aqueles de delivery, vários) e pediu que eu lesse. Sem saber como assumir que tinha apenas memorizado o bendito “Luiz”, eu simplesmente li.

Acredito que, naquela mesma época, tenha nascido a minha paixão pela escrita. Foram vários os livros em Word e Power Point (!) que eu comecei e não terminei – ou terminei sem perceber. Desde que me conheço por gente, sempre que me perguntavam qual era o maior sonho, a resposta era escrever um livro. E o clichê o que você quer ser quando crescer, invariavelmente, continha um “escritora”, mesmo que acompanhado de alguns “cantora” ou “atriz”.

Não foi por acaso que eu decidi estudar Letras (mesmo matriculada em um curso de Análise de Sistemas). Cresci apaixonada pela arte e, especialmente, pelas palavras. Elas foram minhas únicas e mais especiais companheiras por muito tempo, e os momentos em que eu as deixei de lado foram sem dúvida os mais difíceis.

Também não é coincidência o fato de eu manter blogs desde os dez anos de idade ou trabalhar atualmente com produção de conteúdo. Independentemente de para onde minha vida e minha carreira caminharem, espero que a escrita permaneça comigo. E sinto que agora preciso assumi-la publicamente.

Quem sabe não dou a mesma sorte do episódio do “Luiz”, né? Vou fingir que sou escritora e ver o que acontece.

PS: Agradeço especialmente à Paloma Engelke por este texto.